Bambu, a planta maravilhosa!

Tempo de leitura: 3 minutos

“Casal de namorados”, é assim que chamam os cálamos de bambu entrelaçados que crescem no parque de bambu Hakassai, em Kioto, um retrato do relacionamento dos japoneses com a natureza e em especial, com a jardinagem.

Durante séculos, o bambu influenciou de forma decisiva a evolução cultural em toda a Ásia.

Hoje em dia, como um moderno país industrial, o Japão trabalha com outros materiais, mas este parque, na antiga cidade imperial japonesa, procura mostrar aos visitantes a importância tradicional do bambu e o seu significado para a atualidade.


Na Europa, cujas matas não abrigam bambuzais, a jardinagem vem recebendo inspiração japonesa. As plantas que compõe essa nova era, são cultivadas quase exclusivamente nas regiões mais quentes do sul, como a Itália e o Sul da França.


O bambu negro, por exemplo, pode hibernar ao ar livre em regiões setentrionais, já que resiste a temperaturas de até -20º.
Há 700 anos, na China, o bambu era sinônimo de persistência e força espiritual, na pintura e na literatura como o símbolo do homem reto que se curva ao destino, mas não se quebra com a desgraça.


Um poeta chinês escreveu “pode-se fazer uma refeição sem carne, mas não uma casa sem bambu. Sem carne, no máximo ficaremos magros, mas sem bambu perderemos nossa identidade, e com ela, a essência da nossa cultura.”

No século 19, a acentuada sensibilidade para o efeito decorativo da arquitetura e dos ornados exóticos, levou o príncipe herdeiro George da Inglaterra a construir o Royal Pavillion, no balneário de Brighton.
Os desenhos arquitetônicos que lhes serviram de modelo, podem ser encontrados até hoje na Índia.

Na decoração interna dos aposentos do príncipe, foi dado um novo alento a chinaserie, estilo chinês introduzido no panorama cultural europeu na primeira metade do século 18.

As cadeiras de bambu acima foram feitas em torno de 1800 especialmente para o mercado europeu. Embora se distingam bastante em tamanho e forma dos usados na China, onde foram fabricadas, elas se enquadram totalmente em sua tradição artesanal. O aspecto natural e a superfície do material permaneceram inalterados.


No século 19 o bambu estava tão em moda na Europa que era empregado como matéria prima, como imitação e como motivo decorativo, no conjunto da arquitetura interior dos aposentos.

Hoje em dia, artistas asiáticos procuram preservar o artesanato tradicional, além de desenvolver criações próprias e originais.


Infelizmente, o bambu ainda tem recebido pouca atenção como material moderno de construção. O tratamento artesanal que o transforma em objetos extraordinários, ameaça desaparecer.

A história da arte pouco se ocupou até agora com a arte do bambu. Uma possível razão pode ser porque a planta não era a arte oficial das cortes imperiais chinesas. Outro motivo seriam os carunchos, que destruíram prematuramente muitos objetos de bambu.


Apesar disso a arte do bambu conta hoje em dia com entusiastas e admiradores na Europa. Na ilha de Mainau, no sul da Alemanha, objetos de uma coleção pessoal estão expostos. Em algumas peças, é possível perceber a trabalhosa técnica de modelagem que monges chineses aplicavam há mais de 500 anos.

O vaso abaixo, de uma antiga dinastia chinesa, é um dos exemplos mais preciosos dessa técnica.

Este Buda foi talhado em raízes compactas do bambu.


Esta máscara de mulher do Japão é considerada um amuleto.